
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou que passou a enfrentar pressões políticas e institucionais após apresentar o relatório final da comissão. No documento, ele sugeriu o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República por crime de responsabilidade e omissão.
A declaração foi feita em vídeo divulgado nas redes sociais, nesta quinta-feira, 16, em que o parlamentar reagiu à repercussão do relatório e às críticas. Vieira disse que já havia detalhado os fundamentos jurídicos das medidas e que, neste momento, decidiu abordar as reações ao seu trabalho e o ambiente político gerado após a divulgação.
“Sempre que alguém enfrenta o sistema, a reação é violenta”, afirmou.
O relatório menciona os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral Paulo Gonet. Vieira afirmou que, após a apresentação do relatório, houve movimentações no campo institucional contra sua atuação. Ele citou, como exemplo, pedido de Gilmar Mendes à Procuradoria-Geral da República para avaliar eventual responsabilização por abuso de autoridade, além de declarações atribuídas a Dias Toffoli sobre a possibilidade de cassação de mandato e inelegibilidade.
Ao comentar esse cenário, o parlamentar negou qualquer irregularidade e disse atuar com segurança jurídica.“Tenho a mais absoluta certeza de que não cometi nenhum crime, nenhum abuso contra ninguém. Qualquer estudante de direito sabe disso”, declarou.
O senador também afirmou que há diferença na reação a depender do alvo das investigações. Segundo ele, há maior tolerância quando as ações atingem determinados grupos e maior resistência quando envolvem figuras de poder. “Enfrentar bandido pobre na periferia, a elite apoia. Mas quando a gente enfrenta quem é rico, quem é poderoso, aí a coisa é bem diferente”.
Vieira reconheceu que críticas fazem parte do ambiente democrático, mas questionou a motivação de parte dos ataques. “Criticar, discordar, isso é natural. Mas é bom perguntar por que esses ataques acontecem”, disse.
Na avaliação do senador, as reações estão ligadas a interesses políticos e eleitorais. Ele também criticou adversários que, segundo ele, adotam discurso diferente na prática. “Tem gente que grita coragem na campanha, mas na vida real se acomoda. E fica incomodado quando alguém faz o que dizem ser impossível”, afirmou.
Por fim, o parlamentar disse que manterá sua atuação no Congresso, apesar das pressões relatadas.
“Vou continuar fazendo meu trabalho enquanto os sergipanos acharem que eu mereço. A lei deve valer para todos, não só para os pequenos”, concluiu.