
A decisão do governo federal de implementar o Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) veio em boa hora. O exame representa um importante mecanismo para avaliar a qualidade da formação dos estudantes de Medicina e identificar deficiências no ensino oferecido pelas instituições.
O mercado brasileiro está repleto de faculdades de Medicina, muitas delas instaladas no interior do país, cuja qualidade de ensino precisa ser rigorosamente acompanhada. Afinal, não basta formar milhares de médicos e médicas. É preciso garantir que esses profissionais estejam preparados para exercer uma atividade que exige conhecimento, responsabilidade e, sobretudo, compromisso com a vida humana.
Existem críticas de autoridades da área médica sobre a qualidade da formação oferecida por determinadas instituições. A preocupação aumenta quando profissionais recém-formados chegam às unidades públicas de saúde para atuar em atendimentos de urgência e emergência sem a experiência prática necessária.
É uma situação delicada e que merece atenção. Estamos falando de vidas humanas. Um atendimento inadequado, uma prescrição equivocada ou a falta de preparo diante de uma emergência, como uma parada cardíaca, podem trazer consequências gravíssimas para os pacientes.
Em Eunápolis, também existem reclamações de pacientes sobre atendimentos realizados por médicos recém-saídos das faculdades. São relatos que precisam ser apurados pelas autoridades competentes, sem generalizações, mas com a seriedade que o assunto exige.
Afinal, quem procura uma unidade pública de saúde espera encontrar profissionais capacitados para diagnosticar, prescrever e agir corretamente, especialmente nos momentos em que cada minuto pode fazer a diferença entre a vida e a morte.
A criação de mecanismos de avaliação da formação médica ainda durante a graduação é necessária. O Enamed pode contribuir para identificar falhas, cobrar qualidade das instituições de ensino e fortalecer a segurança dos pacientes.
Formar médicos não pode ser apenas um negócio. Medicina exige preparo, competência e responsabilidade. A população não pode pagar com a própria vida pela deficiência na formação de profissionais.