Bahia, 30 de Janeiro de 2026
Por: Ascom/ Veracel Celulose
30/01/2026 - 08:37:39

Em um país onde restam menos de 30% da cobertura original da Mata Atlântica, as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) assumem papel cada vez mais estratégico na proteção da biodiversidade. No Dia Nacional das RPPNs, celebrado em 31 de janeiro, a RPPN Estação Veracel, mantida pela Veracel Celulose no Sul da Bahia, desponta como um dos exemplos mais emblemáticos de como a iniciativa privada pode contribuir de forma efetiva para a conservação ambiental, a produção de conhecimento científico e o desenvolvimento sustentável dos territórios.

Criada em 1998, a Estação Veracel protege 6.069 hectares contínuos de Mata Atlântica nos municípios de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália. Trata-se da maior RPPN de Mata Atlântica do Nordeste brasileiro, reconhecida pela UNESCO como Sítio do Patrimônio Mundial Natural e integrada ao Mosaico de Áreas Protegidas do Extremo Sul da Bahia (MAPES), uma das regiões prioritárias para a conservação do bioma no país.

No Dia Nacional das RPPNs, a trajetória da Estação Veracel reforça a importância de áreas como instrumentos eficazes de conservação e evidencia que a colaboração entre setor privado, ciência e políticas públicas é parte essencial da resposta aos desafios ambientais do presente e do futuro.

Um refúgio para espécies raras e ameaçadas – Os monitoramentos e as pesquisas realizadas ao longo dos últimos anos registraram quase 300 espécies de aves e mamíferos na Estação Veracel, muitas delas raras ou ameaçadas de extinção. Entre os destaques estão o crejoá (Cotinga maculata), símbolo da reserva; a harpia (Harpia harpyja), uma das maiores aves de rapina do mundo; além de espécies de topo de cadeia como a onça-pintada (Panthera onca) e a sussuarana (Puma concolor), indicadores diretos da qualidade ambiental da floresta.

O registro da onça-pintada na região, após mais de 20 anos sem evidências da espécie no Sul da Bahia, tornou-se um marco para a conservação local. Já o Projeto Harpia, iniciado em 2005, consolidou a Estação como um dos principais núcleos de pesquisa da espécie na Mata Atlântica, com cinco ninhos registrados, monitoramento contínuo e, mais recentemente, o uso de rastreamento via satélite de filhotes, um feito inédito no bioma.

No campo da flora, a RPPN abriga mais de 290 espécies vegetais, figurando entre as 20 áreas com maior diversidade de árvores do mundo, o que reforça sua relevância global para a conservação da Mata Atlântica.

Água, clima e serviços ecossistêmicos – Além da biodiversidade, a Estação Veracel presta serviços ecossistêmicos essenciais para a região. São 115 nascentes protegidas, incluindo cursos d’água históricos como o Rio Mutari e o Rio dos Mangues, responsável por parte do abastecimento de água de Porto Seguro.

A floresta atua diretamente na regulação do clima, na proteção do solo, na qualidade da água e na manutenção de polinizadores, beneficiando comunidades urbanas, rurais e sistemas produtivos do entorno. Esse conjunto de benefícios levou a reserva a receber, em 2020, o reconhecimento de Serviços Ecossistêmicos do FSC®, tornando a Veracel a primeira empresa de florestas plantadas no Brasil a obter essa certificação.

Ciência a céu aberto e inovação para a conservação – A RPPN Estação Veracel também se consolidou como um dos mais importantes laboratórios naturais da Mata Atlântica. Ao longo de sua trajetória, já apoiou mais de 230 estudos científicos, conduzidos por instituições brasileiras e internacionais, como a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e a Universidade de Yale.

Pesquisas recentes com DNA ambiental (eDNA) ampliaram significativamente o conhecimento sobre a fauna local, revelando 36 novas espécies registradas entre 2023 e 2025, incluindo mamíferos raros e a possível identificação de uma nova espécie de anfíbio. Os resultados vêm sendo incorporados ao Plano de Manejo da RPPN e orientam estratégias como a criação de corredores ecológicos e a priorização de habitats para conservação.

Esses corredores conectam a Estação Veracel a outras unidades de conservação e a fragmentos florestais preservados dentro das áreas produtivas da empresa, formando um mosaico de paisagem que reduz os efeitos da fragmentação da Mata Atlântica e favorece o fluxo genético da fauna e da flora.

Educação ambiental e engajamento social – A atuação da RPPN vai além da ciência. Todos os anos, a Estação Veracel impacta a vida de cerca de 5 mil pessoas em atividades de educação ambiental, turismo sustentável e observação de aves. Projetos como o Programa Amigos da Fauna, lançado em 2021, estimulam a ciência cidadã e o engajamento de colaboradores e parceiros no registro e na proteção da fauna silvestre.

“A Estação Veracel mostra que conservar é também educar, gerar conhecimento e construir vínculos com o território. É uma reserva que dialoga com a ciência, com as comunidades e com os desafios globais da biodiversidade”, afirma Marco Aurélio Barbosa Santos, Coordenador de Estratégia Ambiental da Veracel.

Contribuição para metas globais – Ao manter e gerir a maior RPPN de Mata Atlântica do Nordeste, a Veracel contribui diretamente para o cumprimento da Meta 03 do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que prevê a conservação de ao menos 30% das áreas terrestres até 2030. Em um bioma altamente fragmentado como a Mata Atlântica, iniciativas privadas de grande escala tornam-se decisivas para alcançar esse objetivo.

Veja + Notícias/Geral